2018 começará com Super Lua

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128 sexta, 29 de dezembro de 2017

A bolha solar

Carl Sagan cunhou uma frase que ficou mais famosa que ele, talvez. Ele disse, umas duas décadas atrás, que somos feitos de poeira estelar, ou material estelar dependendo da tradução. A ideia, corretíssima, é que cada átomo que compõe nosso corpo passou por uma estrela. Tirando o hidrogênio criado no Big Bang, todo átomo foi criado dentro de uma estrela. Depois disso os átomos se combinaram em moléculas cada vez mais complexas que se organizaram em organismos cada vez mais complexos e cá estamos nós.

Em escala um pouco maior isso também é verdade. O Sistema Solar que habitamos foi formado há mais ou menos 5 bilhões de anos. Da nuvem original saíram o Sol e todos os corpos celestes que fazem parte do sistema, como os planetas, asteroides e cometas, por exemplo. Essa nuvem era composta dos restos de milhares de outras estrelas mais antigas que explodiram e espalharam seu material enriquecido de átomos pesados pela galáxia.

De acordo com a teoria mais aceita para a formação do Sistema Solar, a nuvem original sofreu um “empurrãozinho” externo para iniciar o seu colapso. Esse empurrão foi, na verdade, uma onda de choque produzida por uma explosão de supernova relativamente próxima à nós. A explosão também colaborou para dar uma pitada de elementos químicos, como por exemplo alumínio-26 e ferro-60.

Os dois elementos são isótopos usados para estudar justamente a possibilidade de ter mesmo havido uma supernova por perto e não é de hoje que os resultados são controversos. O banho de elementos químicos provocados por supernova teria temperado a nuvem do Sistema Solar com os dois isótopos acima, mas estudos de meteoritos mostram outra coisa.

Os meteoritos são testemunhos químicos do material que compunha a nuvem que formou o sistema todo. Eles foram formados em regiões distantes de onde o Sol se formou e por isso não tiveram alteração química relevante. A análise da composição de meteoritos recuperados na Terra mostra uma grande deficiência de ferro-60, sugerindo que a hipótese de supernova possa não ser a correta.

 

Então o que poderia ter dado origem ao Sistema Solar?

Uma estrela massiva chamada Wolf-Rayet, como essa da foto. Uma Wolf-Rayet é uma estrela com mais de 40 ou 50 vezes a massa do Sol e que já está em seus estágios finais de evolução. Além da massa e alta temperatura, estrelas deste tipo se caracterizam por emitirem fortes ventos estelares. O interior das Wolf-Rayet tem condições de temperatura e pressão para produzir elementos pesados e o intenso vento pode espalhar essa produção toda pelas vizinhanças. Todavia, a fornalha estelar não consegue produzir elementos mais pesados que o ferro e toda vez que uma estrela tenta fazer isso ela se colapsa para, em seguida, explodir em supernova. Da explosão de supernova é que saem os elementos químicos mais pesados que o ferro.

 

 

 

Um estudo publicado essa semana no “Astrophysical Journal” dá uma explicação no mínimo curiosa para a ausência do ferro-60, esperado nos meteoritos se a tudo tivesse começado com uma explosão de supernova mesmo. O nosso Sistema Solar, e por consequência nós mesmos, teríamos sido formados de uma bolha ejetada de uma estrela Wolf-Rayet. É mais ou menos isso, somos feitos de uma golfada de estrela.

O material produzido por essas estrelas não possui ferro-60 já que ele só é criado em explosões de supernovas, mas possui o alumínio-26 que está nos meteoritos estudados. O estudo liderado por Nicolas Dauphas, da Universidade de Chicago, mostra através de simulações que o intenso vento estelar pode formar bolhas em regiões mais distantes da estrela. As bolhas poderiam ir se acumulando, tanto com outras bolhas quanto com o material interestelar e, ao se esfriar, produziria a poeira necessária para formar futuramente os planetas.

As simulações do time de Dauphas conseguem mostrar que até 16% das estrelas do mesmo tipo do Sol poderiam ser formadas por esse mecanismo, além de dar conta do problema da falta do ferro-60. Por outro lado, deixa uma questão importante em aberto. Ao final de sua vida, uma Wolf-Rayet termina seus dias, ou virando diretamente um buraco negro, ou em uma explosão de supernova. No primeiro caso, pouco ou nenhum ferro-60 é produzido, mas no segundo voltamos ao problema da produção igual de ferro e alumínio. Enquanto o trabalho mostra que existem mecanismos que possam blindar a poluição de ferro, ele não fala nada sobre como seria a formação de um sistema planetário tão perto de um buraco negro. Fica aí o questionamento!

 

Super Lua

E 2018 já começa bem! No primeiro dia do ano teremos uma super Lua, ou seja, quando a Lua Cheia se dá no ponto de maior aproximação com a Terra, chamado de perigeu. Como consequência de uma Lua Cheia logo no dia primeiro de janeiro, dia 30 teremos outra Lua Cheia e neste caso será uma Lua Azul!

 

G1