América Latina visa Oscar com filme censurado e indicação de atriz trans

América Latina visa Oscar com filme censurado e indicação de atriz trans
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42 segunda, 2 de outubro de 2017

Desde a premiada história de uma transexual protagonizada por uma atriz transgênero até um filme censurado no próprio país, a América Latina chega neste ano com interessantes apostas que competem para serem indicadas ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

 

Após seis indicações e um prêmio nos últimos dez anos, a região busca chamar a atenção da Academia de Hollywood com produções não tão convencionais para a categoria que terá as inscrições encerradas na próxima segunda-feira (02).

 

O chileno “Uma mulher fantástica”, de Sebastián Lelio, aparece com boas chances de entrar tanto na curta lista de nove pré-selecionados como na definitiva de cinco candidatos graças ao Urso de Prata para o melhor roteiro no último Festival de Berlim e a suposições de portais especializados, como o “IndieWire”.

 

O otimismo a respeito do filme não se justifica só pela profundidade da personagem principal, Marina, uma transgênero vetada pela família do namorado, mas também pela força interpretativa de Daniela Vega, artista transexual que segundo especialistas pode ser indicada ao prêmio de melhor atriz.

 

“O grande candidato é ‘Uma mulher fantástica’. O que historicamente se escolhe são filmes acessíveis sobre temas que o cinema americano não aborda normalmente”, disse o presidente da Academia de Cinema da Argentina, Axel Kuschevatzky, para quem uma indicação de Vega “seria histórica não só a nível latino-americano”, por se tratar da primeira na história para uma atriz trans.

 

A Venezuela apresentará “El Inca”, de Ignacio Castillo, baseado no boxeador Edwin “Inca” Valero, que após nocautear os 27 adversários que enfrentou matou a esposa horas antes de cometer suicídio na prisão. O filme foi censurado no país a pedido da família do lutador, que considera que o longa atenta contra sua honra e vida pessoal.

 

O Brasil tentará a indicação com “Bingo: O Rei das Manhãs”, de Daniel Rezende, a biografia de Arlindo Barreto, um dos intérpretes do palhaço Bozo que alcançou a fama pelo personagem e se frustrou pela falta de reconhecimento público, já que sempre aparecia fantasiado no programa, o que o levou a se envolver com drogas.

 

 

Reprodução

Cena do filme venezuelano “El Inca” Imagem: Reprodução

 

 

Em busca da nona indicação e da primeira estatueta, o México aposta em “Tempestade”, da diretora salvadorenha Tatiana Huezo, um documentário que toca em feridas abertas como a impunidade e os desaparecidos.

 

Boa parte dos olhares estarão focados em “Zama”, com o qual a Argentina quer repetir os dois prêmios já conquistados, os únicos da América Latina até hoje, obtidos com “O Segredo dos Seus Olhos”, em 2010, e “A História Oficial”, em 1986.

 

O filme de Lucrecia Martel é centrado em um funcionário da coroa espanhola estabelecido em Assunção e que espera uma decisão do rei para ser transferido.

 

A Colômbia, que em 2016 conseguiu com “O Abraço da Serpente” a mais recente indicação na categoria para a América Latina, aposta desta vez em “Pariente”, de Iván Gaona, uma história de amor atravessada pela morte em uma zona de conflito armado.

 

O filme da vez no Peru é “Rosa Chumbe”, de Jonatan Relayze, no qual uma policial alcoólica e pobre passa a tomar conta do pequeno neto quando sua filha o abandona e rouba suas economias. Com isso, ela decide ir à procissão do Senhor dos Milagres para pedir ajuda.

 

A Bolívia levará “Viejo Calavera”, com o qual o diretor Kiro Russo mostra o submundo da mineração através de Elder, um jovem alcoólico e ladrão.

 

Pela República Dominicana, “Carpinteiros”, de José María Cabral, conta o romance entre Julián e Yanelly, que alimentam o seu amor através da linguagem de sinais criada por detentos de uma prisão enquanto tentam esconder a relação de um perigoso preso interessado na mulher.

 

 

Luiz Maximiano/Warner

Cena de “Bingo, o Rei das Manhãs” Imagem: Luiz Maximiano/Warner

 

 

Representando o Uruguai, “Otra historia del mundo”, de Guillermo Casanova, adentra a vida de duas famílias de um pequeno povoado unido através do tempo.

 

O Panamá competirá com “Más Que Hermanos”, que marca a estreia de Arianne Benedetti como diretora e no qual dois irmãos órfãos sobrevivem nas ruas.

 

Outro país a ser representado por uma diretora é o Equador, com Ana Cristina Barragán, que em “Alba” retrata uma pré-adolescente que por problemas de saúde da mãe passa a cuidar do pai, com quem tem uma relação estranha por não vê-lo há anos.

 

Por último, o Paraguai terá “Los Buscadores”, um “Indiana Jones paraguaio”, nas palavras de Tana Schémbori, que codirige com Juan Carlos Maneglia o filme recordista de bilheteria no país.

 

Os longas-metragens semifinalistas terão os nomes divulgados em dezembro. A lista com os candidatos definitivos à categoria de melhor filme estrangeiro será publicada no dia 23 de janeiro do ano que vem. A cerimônia do Oscar está marcada para 4 de março, em Los Angeles.