AS OITO MÚSICAS QUE DEFINIRAM O POP NACIONAL EM 2017

AS OITO MÚSICAS QUE DEFINIRAM O POP NACIONAL EM 2017
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514 terça, 26 de dezembro de 2017

O ano de 2017 começou promissor: Alok se tornava o primeiro brasileiro na história a entrar no Top 50 global do Spotify, Anitta dava seus primeiros passos na carreira internacional e muitos singles e até discos apontavam que o pop do nosso país tinha muito para crescer – e quem apostou forte nisso acertou na mosca! Com hit atrás de hit, novos artistas surgindo e explodindo e uma performance de dar inveja ao gigante sertanejo, o pop viveu seu ano mais incrível na história dentro do Brasil.

 

Acima de tudo, 2017 foi o momento em que a música produzida aqui dentro do país tomou conta das plataformas digitais. Essa foi a maior percepção do relatório de fim de ano do próprio Spotify, por exemplo, com o sertanejo tomando à frente como gênero mais ouvido e tendo álbuns e artistas do gênero no topo do ranking de audição – o pop daqui, contudo e apesar de ainda não ser o que mais se ouve, cresceu de um jeito sem precedentes, pela primeira vez tendo um número grande de faixas competindo com a produção internacional do gênero e fazendo frente ao próprio sertanejo (algo que nunca havia acontecido). Junto com eles e também fortíssimo vem o funk, formando a tríade de estilos nacionais que fez o consumo de música brasileira se igualar ao consumo de música internacional pela primeira vez na era digital.

 

 

Como já dissemos, o que mais impressiona no meio disso tudo é o pop nacional, que vimos acontecer de um jeito mais explosivo do que nunca. Enquanto o funk é um fenômeno fortíssimo nos últimos 4 a 5 anos e o sertanejo é praticamente eterno, o pop, que sempre “veio à tona” misturado com outros gêneros como pagode e axé, teve seu crescimento máximo acontecendo em 2017, resultado do trabalho lento e de anos de artistas como Anitta, Nego do Borel e Pabllo Vittar. Enfim podemos dizer que existe um “pop brasileiro” como gênero e não apenas como manifestação cultural.

 

Pra você entender isso tudo ouvindo e apreciando grandes hits de 2017, selecionamos 8 deles aqui embaixo numa lista das músicas que definiram o que foi esse tal “pop nacional” – e, pra ouvir todas elas enquanto você lê a lista, siga e bote pra tocar a playlist O Melhor do Topsify, disponível aqui mesmo na página!

 

 

Iza – Pesadão (part. Marcelo Falcão)
Lançada com um clipe impressionante – cheio de cores, coreografias incríveis e com um viés forte de afirmação e empoderamento – “Pesadão” foi o hit que colocou a cantora Iza na posição que ela sempre mereceu dentro da nossa música: a grande voz do pop. Mistura de reggae, dub e pop com a participação consciente e politizada de Marcelo Falcão, “Pesadão” foi um daqueles hits irresistíveis que conseguiu unir som chiclete e uma mensagem forte e legítima, já que sai da voz de uma mulher negra e talentosíssima, dona de timbre e técnica que impressionaram desde os singles “Te Pegar” e “Quem Sabe Sou Eu”. Acima de tudo, “Pesadão” alimentou sonhos – provou que, no pop, você pode soar exatamente como você quer, cantar um dub-reggae, sendo mulher e com voz grave, que você pode soltar mensagens duras, pesadas e politizadas, e ainda assim fazer muito sucesso.

 

 

Alok, Bruno Martini & Zeeba – Hear Me Now
Depois de anos desenvolvendo seu som, cunhando a ideia de um “brazilian bass” e conquistando o mundo inteiro aos poucos, Alok atingiu seu maior hit com “Hear Me Now”, parceria com Bruno Martini e Zeeba. A faixa começou a estourar no fim de 2016, mas atingiu seu pico apenas nos primeiros meses de 2017, se tornando uma das mais ouvidas do mundo e fazendo o house e EDM brasileiros serem respeitados fora daqui. Além de tudo isso, a faixa foi o que fez os ouvidos das rádios e das gravadoras se abrirem para a dance music nacional, conquistando espaços importantíssimos para o gênero, com o próprio DJ e também Bruno Martini assinando inúmeros trabalhos para majors e outros artistas do estilo sendo contratados. Enfim, “Hear Me Now” colocou a mistura de EDM e pop nacional num nível que provavelmente nunca abandonará – e criou uma nova estrela da nossa música em Alok.

 

 

Nego do Borel – Você Partiu Meu Coração (part. Anitta e Wesley Safadão)
“Você Partiu Meu Coração” uniu funk, pop, sertanejo e arrocha e seria daqueles típicos hits que marcam um ano inteirinho – se 2017 não tivesse sido justamente uma abominação na história da nossa música pop. A faixa foi um sucesso sem precedentes para a carreira do Nego do Borel e, enfim, depois de anos na luta, transformou o cara numa estrela do nosso pop. Para isso, claro, ele precisou de muita ajuda. Da participação de Anitta e Wesley Safadão; de uma composição dos geniais Umberto Tavares e Mãozinha, donos de inúmeros outros hits; e de um clipe colorido e muito bem produzido. Acima de tudo isso, porém, está a letra divertida e tudo a ver com a juventude atual e a melodia chicletíssima da faixa, que tornou ela um hit gigantesco. Tanto que o single já até ganhou versão em espanhol na voz de Maluma – regravação, essa, que já está bombando demais por toda a América. Quer sinal maior de que o nosso pop está crescendo numa intensidade nunca antes vista do que esse?

 

 

Pabllo Vittar – K.O.
Único hit independente presente na lista (Pabllo só assinou com a Sony meses depois do sucesso), “K.O.” uniu o brega e o forró do nordeste com um pop explosivo e irresistivelmente grudento, daqueles que nem o mais resistente consegue fugir – e o mais incrível: na voz de uma drag queen! Pabllo Vittar basicamente quebrou o país ao explodir o preconceito musical e a homofobia para conseguir bombar e se tornar uma das maiores cantoras do Brasil – e seu maior feito foi “K.O.”, um hit de rádio que 8 em cada 10 pessoas sabe cantar, nem que seja só um pedaço do refrão. E a influência e importância de Pabllo se tornaram visíveis com uma rapidez absurda, já que outras drag queens estão assinando com grandes gravadoras e o pop vem sendo cada vez mais respeitado.

 

 

Anitta – Paradinha
Pabllo teria chances de ser a maior artista do país em 2017… se uma tal de Anitta não tivesse voltado com toda a força do mundo. No início de junho, ela aterrissou direto no topo das paradas e quebrando recordes com “Paradinha”, sua primeira faixa original em espanhol, com pouco mais de 2 minutos, um clipe gravado em Nova Iorque e com levada e coreografia muito chicletes. Era o primeiro passo firme e decidido da tão falada “carreira internacional” da cantora, já boato há mais de ano – e, mesmo que o sucesso lá fora não tenha vindo, a explosão do single no Brasil + o simples fato de ser uma música com a cara de Anitta, e não um desvio absurdo de sonoridade como outros artistas brasileiros já fizeram ao tentar a sorte na gringa, foi um sinal muito positivo e um marco de performance no pop nacional num nível que, até então, praticamente não se tinha visto. Acima de tudo, “Paradinha” mostrou a força, a expectativa e o apoio imensos que estão ao redor de Anitta – e isso foi essencial para dar confiança à cantora e ela começar um certo projeto…

 

 

Um44k – 4 Da Manhã
Um dos gêneros que mais cresceu no Brasil em 2017 sem a menor dúvida foi o rap – e boa parte das músicas que fizeram o estilo explodir se distanciaram um tanto do pop radiofônico, sendo chicletes, mas também sendo muito mais inspiradas em sons pesadíssimos ou no trap gringo. Pra quebrar um pouco essa ideia e “unir as tribos”, a dupla Um44k lançou a incrível “4 Da Manhã”, com uma letra divertida e sincera sendo levada por um clima sexy e um beat. pesado, mas com vibe chill – quer dizer, que se encaixa num set de rap nacional pra pista, mas que também é bom pra aquela hora de relaxar e assistir um Netflix. A faixa foi a união mais perfeita e mais bombástica entre hip hop e pop a surgir no Brasil em 2017 e, não por acaso, transformou Saulo e Luan em estrelas ascendentes da nossa música.

 

 

Major Lazer – Sua Cara (part. Anitta e Pabllo Vittar)
Se você é um fã antigo de pop e nasceu no Brasil, deve ter sentido uma vontade mista de chorar e de gritar – claro, de alegria – quando viu que “Sua Cara” estava realmente acontecendo. A faixa já é o maior fato da história do pop nacional, estreando seu clipe no YouTube com mais de 20 milhões de views em apenas 24 horas e unindo ninguém menos do que o Major Lazer (de Diplo e Jillionaire) às brasileiras Anitta e Pabllo Vittar. Então, basicamente: a maior estrela do pop nacional, a maior revelação do pop nacional e um dos grupos de música eletrônica mais respeitados do mundo. “Sua Cara” nasceu como o maior feito da história do nosso pop e seu sucesso foi inevitável, ficando mais de dois meses no topo do ranking brasileiro do Spotify e tomando proporções que nem o fã mais otimista do estilo poderia imaginar. Divisora de águas, no mínimo, mas chamar a faixa de revolucionária também não é exagero.

 

 

Anitta, MC Zaac e Maejor – Vai Malandra (part. Tropkillaz e DJ Yuri Martins)
A gente já tinha até acabado de planejar essa lista e fechado em 7 faixas quando Anitta resolver praticamente reinventar a história do pop brasileiro com “Vai Malandra”. Parceria com uma porrada de gente e unindo o funk ao hip hop nos versos e na produção, a faixa é chiclete e explosiva de um jeito absurdo – e seus inúmeros recordes estão aí pra provar na prática toda a sabedoria artística da cantora. Foi a primeira música nacional a estrear direto no top 50 do Spotify mundial e, no dia seguinte, chegou ao top 20, na maior posição que uma música brasileira já alcançou – além de ter sido a primeira faixa majoritariamente em português a sequer entrar no top 50 global. Se não bastasse, a performance da música quebrou recordes numéricos para suas primeiras 24 horas tanto no Spotify quando no YouTube – neste último, foi muito graças ao clipe incrível e cheio de representatividade, gravado na comunidade do Vidigal e quase 100% encenado por figurantes da própria favela. Foi o último single do projeto CheckMate, em que a cantora lançou um single + clipe por mês desde outubro, e foi o mais incrível de todos – se em “Is That For Me”, “Will I See You” e “Downtown” Anitta assustou por se afastar do seu país de origem, em “Vai Malandra” a diva abraça o Brasil de um jeito extremo, praticamente mostrando o funk em sua forma mais crua e real ao mundo inteiro. Se faltava algo para provar que o pop nacional tem um futuro incrível pela frente, agora, depois de “Vai Malandra”, não falta mais.

 

FONTE: TOPSIFY