“Não foi escândalo, foi abuso”: Paris Hilton quebra o silêncio e transforma dor em luta
Written by Fernanda Cardoso on 23 de janeiro de 2026
Paris Hilton voltou a falar sobre um dos momentos mais traumáticos da sua vida — e dessa vez, fez isso em alto e bom som, direto do Capitólio, em Washington. Ao lado das deputadas Alexandria Ocasio-Cortez e Laurel Lee, a empresária e estrela de reality shows abriu o coração ao relembrar o vazamento da sex tape gravada quando ela tinha apenas 19 anos.
“Chamaram de escândalo. Não foi. Foi abuso”, disse Paris, emocionada, ao contar que o vídeo íntimo foi divulgado sem seu consentimento em 2004.
Na época, segundo ela, não existiam leis, nem sequer palavras, para definir o que havia acontecido. A internet ainda engatinhava — e a crueldade digital começava a mostrar sua força.
A fala aconteceu em apoio ao DEFIANCE Act, um projeto de lei bipartidário que busca proteger vítimas de conteúdos sexualmente explícitos criados ou manipulados por inteligência artificial e divulgados sem consentimento. A proposta já passou pelo Senado e promete dar respaldo legal a quem passa por esse tipo de violência.
Paris relembrou o linchamento público que sofreu: foi xingada, ridicularizada e transformada em piada. Sua dor virou clique, manchete e entretenimento. “Esperavam que eu ficasse quieta, seguisse em frente e ainda fosse grata pela atenção”, contou. Ninguém, segundo ela, se preocupou em enxergar a jovem por trás da exposição, nem o impacto emocional que aquilo causou.
Hoje, com outra maturidade e voz ativa, Paris diz que contar sua história foi parte do processo de cura. Ela reconhece que teve a chance de recuperar o controle da própria narrativa — algo que muitas mulheres ainda não conseguem. “Quando sua imagem é violada, isso não desaparece. Vive dentro de você. Mas o seu poder também”, afirmou.
A empresária prometeu continuar falando, não só por ela, mas por todas as mulheres e meninas que já passaram por situações parecidas.
“Vou seguir dizendo a verdade para proteger cada sobrevivente, agora e no futuro.”
Paris também volta a esse assunto no livro Paris: The Memoir, lançado em 2024, onde revela que se sentiu pressionada pelo então namorado, Rick Salomon, a gravar o vídeo. O material foi divulgado sem autorização, gerou processos judiciais e uma indenização que ela doou para caridade.
Em entrevistas recentes, ela descreveu o episódio como uma ferida que ainda dói.
“Confiar em alguém e ver essa confiança destruída diante do mundo inteiro… isso me marcou para sempre”, disse, revelando que até hoje lida com sintomas de estresse pós-traumático.
No dia 30 de janeiro, Paris lança o documentário Infinite Icon: A Visual Memoir, que promete mostrar não só os bastidores do seu álbum mais recente, mas também como a música virou refúgio nos momentos mais difíceis da sua vida — além de encarar, de frente, a forma machista com que foi tratada pela mídia ao longo dos anos.